Curso Prático de Patrimônio Espeleológico integra teoria e prática na Gruta Rei do Mato (MG).

No dia 20 de junho de 2026, foi realizado o Curso Prático de Patrimônio Espeleológico, promovido pela Comissão de Direito Ambiental da OAB/MG – Diretoria de Cidadania e Direitos Humanos, com atividades no Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato (MNEGRM), em Sete Lagoas (MG), envolvendo também a Grutinha. A atividade contou com carga horária total de 8 horas.

O curso teve como objetivo promover uma formação técnica e interdisciplinar sobre a proteção, o uso e a gestão do patrimônio espeleológico brasileiro, reunindo conhecimentos de geologia, espeleologia, arqueologia, paleontologia, biologia subterrânea e direito ambiental.

A atividade foi conduzida pela instrutora responsável Mariana Barbosa Timo, com apoio de Dr. Roberto Brandão, Dra. Marcela Vitoriano, Ana Carolina Andrino de Melo, Isabel Pires e José Mota Neto, que contribuíram com a abordagem multidisciplinar ao longo das etapas teóricas e práticas.

A programação iniciou-se com visita técnica à Gruta Rei do Mato, importante unidade de conservação integrante da Rota Lund. No local, os participantes conheceram aspectos geológicos da cavidade desenvolvida em rochas calcárias do Grupo Bambuí, além de suas principais feições espeleológicas, como estalactites, estalagmites, travertinos, helictites e as emblemáticas Colunas Gêmeas. Também foram discutidos processos de formação, evolução genética da caverna e impactos históricos associados à mineração na região.

Na Grutinha, os participantes tiveram contato com registros arqueológicos e paleontológicos, incluindo pinturas rupestres atribuídas às tradições Planalto e Nordeste, além de evidências fósseis associadas à megafauna pleistocênica. Também foram abordados aspectos da fauna cavernícola, com destaque para a importância dos quirópteros na dinâmica ecológica subterrânea.

Durante a atividade, foram ainda discutidos os impactos da visitação turística sobre o ambiente cavernícola, como alterações microclimáticas, produção de CO₂, resíduos e desenvolvimento de lampenflora, reforçando a importância do monitoramento ambiental e do manejo adequado das cavidades.

Após a etapa de campo, o curso seguiu com módulos teóricos que abordaram desde os fundamentos do Direito Ambiental até a legislação espeleológica, licenciamento ambiental e avaliação de impactos e danos ao patrimônio espeleológico, promovendo uma visão integrada entre ciência, gestão pública e instrumentos jurídicos.

A metodologia, baseada na integração entre vivência prática e fundamentação teórica, foi destacada como um dos principais diferenciais da atividade, favorecendo a compreensão da complexidade da gestão do patrimônio espeleológico e a necessidade de articulação entre diferentes áreas do conhecimento para sua proteção.

Figura 01: Na primeira linha, foto coletiva dos inscritos no curso antes do início das atividades de campo.Fonte: Acervo eBRe/SEFE/SBE, 2026
Figura 02: Imagem evidenciamos o auditório onde foi realizada a parte teórica do curso. Fonte: Acervo eBRe/SEFE/SBE, 2026. 
Figura 03: Registro coletiva das instrutoras do curso, incluindo Mariana Timo, representante da eBRe/SEFE/SBE.Fonte: Acervo eBRe/SEFE/SBE, 2026.